Em um movimento para ajustar a rota política na reta final da disputa eleitoral, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva incluiu o ex-ministro e ex-governador do Ceará Camilo Santana no núcleo de comando de sua chapa. Santana, que atuou diretamente na reeleição de Elmano de Freitas ao governo cearense e deixou a Esplanada no início de abril, passará a partilhar atribuições estratégicas com o coordenador-geral e presidente nacional do PT, Edinho Silva, que vinha sendo alvo de cobranças de aliados.
Aliança regional e novos nomes na equipe
A reorganização não se restringe ao Ceará. A estrutura da campanha nacional também passa a contar com emissários dos governadores petistas Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí, ambos vitoriosos ainda na primeira etapa do pleito. Além deles, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em gozo de férias da instituição financeira pública, terá atuação ampliada na disputa pelo Palácio do Planalto.
O foco principal do novo grupo é reaquecer o engajamento das bases estaduais. Apesar de ter alcançado mais de 50% dos votos em todos os nove estados do Nordeste no primeiro turno, o desempenho petista ficou aquém do índice registrado em 2022. O cenário é agravado pelo fato de que oito dessas unidades federativas já liquidaram as disputas locais para governador, o que historicamente desmobiliza a militância na rua.
Queda de desempenho no Nordeste e avanço bolsonarista
Mesmo nos redutos onde correligionários de Lula triunfaram, o resultado presidencial encolheu em comparação com a corrida anterior, ao passo que a oposição ampliou sua fatia:
- Bahia: quarto maior colégio eleitoral do país, viu Lula recuar de 69,73% para 66,17% dos votos válidos, enquanto Flávio subiu de 24,31% (marca de Jair Bolsonaro em 2022) para 28,53%.
- Ceará: o candidato à reeleição obteve 63,20%, frente aos 65,91% de quatro anos antes. Em contrapartida, Flávio atingiu 31,27%, superando os 25,38% anteriores.
- Piauí: a votação de Lula oscilou de 74,25% para 70,99%, enquanto a representação bolsonarista cresceu de 19,90% para 24,09%.
Fritura interna, ruídos na comunicação e internet
A chegada de reforços visa responder a um descontentamento difuso nos diretórios regionais, que relataram descoordenação, escassez de material de propaganda e falhas no repasse de agendas durante a etapa inicial da eleição. A ex-senadora Kátia Abreu expôs o incômodo diretamente a Lula, apontando que o vice-presidente Geraldo Alckmin vinha tendo menos protagonismo do que a primeira-dama Janja da Silva.
Para compensar o vácuo de comunicação, a campanha determinou que parlamentares e produtores de conteúdo digital acelerem a distribuição de mensagens para elevar a penetração dos conteúdos partidários nas redes sociais.
Batalha pelo Sudeste e o desafio do não comparecimento
Simultaneamente às ações nordestinas, a equipe trabalha para conter danos no Sudeste. Em São Paulo, maior contingente de votantes do país, a chapa perdeu cerca de 1,7 milhão de votos em relação ao ciclo de 2022 — período em que o bom desempenho paulista, somado ao fôlego do Nordeste, foi indispensável para assegurar a vitória no cálculo geral.
O maior obstáculo prático até o dia da votação continua sendo o eleitorado ausente. O país bateu a marca histórica de 33,4 milhões de abstenções, correspondendo a 21% dos eleitores aptos. Embora os índices no Nordeste tenham permanecido ligeiramente inferiores à média do Brasil, patamares como os de Alagoas (20,61%) e da Bahia (19,97%) acenderam o alerta do comitê petista, que aposta no resgate de eleitores de menor renda que não compareceram às urnas.
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Com informações do Valor.globo.com///
