Gripe, bronquiolite, asma agravada pelo frio — a lista é longa. Uma enfermeira escolar explica por que as crianças são mais vulneráveis e o que os pais podem fazer no dia a dia para reduzir os riscos.
Com a chegada do frio, os corredores das escolas e as salas de espera dos pediatras ficam mais movimentados. Não é coincidência. As baixas temperaturas ressecam as vias aéreas, comprometem as defesas naturais do organismo e criam o ambiente ideal para que vírus e bactérias se instalem — especialmente em crianças, cujo sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.
Roberta Ferreira, enfermeira do Brazilian International School (BIS), em São Paulo, acompanha esse ciclo há quase 14 anos e explica que o risco não é inevitável. Com alguns cuidados simples na rotina, é possível reduzir bastante a chance de adoecimento.
“Durante os meses mais frios, é comum observarmos um aumento nos casos de doenças respiratórias entre as crianças. Mas com alguns cuidados simples no dia a dia, é possível reduzir bastante os riscos.” Roberta Ferreira, enfermeira do BIS
As doenças mais comuns nessa época
Resfriados e gripes são as mais frequentes, mas o frio também agrava quadros crônicos como asma e rinite alérgica. Em bebês e crianças pequenas, a bronquiolite merece atenção especial -a inflamação dos bronquíolos pode causar chiado no peito e dificuldade para respirar. Bronquite, sinusite e pneumonia completam a lista das principais ameaças do período.
O que os pais podem fazer
A vacina contra a gripe é o primeiro passo — e vale manter todo o calendário vacinal em dia. Mas a prevenção vai além da imunização. Higiene frequente das mãos, ambientes bem ventilados mesmo no frio, boa hidratação e alimentação equilibrada formam uma base sólida de proteção.
Outros cuidados que fazem diferença: lavar roupas e cobertores guardados antes de usar, evitar exposição da criança à fumaça de cigarro e produtos de limpeza com cheiro forte, e reduzir o contato com pessoas gripadas. Para bebês, manter o aleitamento materno é uma proteção extra importante.
Quando ir ao médico
⚠️ Sinais de alerta — procure atendimento médico
Febre persistente, chiado no peito, dificuldade para respirar, respiração acelerada, cansaço excessivo, recusa para comer ou beber e prostração. Se a criança apresentar a barriga “afundando” ao respirar ou coloração arroxeada nos lábios, busque atendimento imediato.
Família e escola juntas
A prevenção não é responsabilidade só dos pais. Roberta reforça que escola e família precisam caminhar juntas: enquanto a instituição higieniza os espaços, ensina etiqueta respiratória e monitora os alunos, os pais têm o papel essencial de observar sintomas em casa, buscar orientação médica quando necessário e manter a criança em casa durante a recuperação — protegendo não só o filho, mas também os colegas e professores.
A especialista: Roberta Ferreira é enfermeira e atua há quase 14 anos no Brazilian International School (BIS), em São Paulo, com experiência em enfermagem escolar, promoção da saúde e cuidado diário dos alunos.

