Por Antônio Branco, Coronel da Reserva da Polícia Militar de SP//
Como pai e como homem que passou a vida inteira na linha de frente da segurança pública, posso afirmar com total convicção: a batalha contra o crime não começa e nem termina nas celas de um presídio. A verdadeira linha de defesa do nosso país está dentro das nossas casas, no exemplo que damos aos nossos filhos e na proteção dos nossos jovens. O crime organizado é um negócio covarde que prospera destruindo o futuro das próximas gerações, e o Estado precisa chegar antes que o tráfico ofereça o caminho ilusório do dinheiro fácil.
O maior patrimônio que uma mãe ou um pai trabalhador possui é a honestidade de seus filhos. No entanto, o crime organizado mudou a sua estratégia. Hoje, ele não busca o jovem apenas nas esquinas escuras, ele entra nos quartos através das redes sociais, ostentando armas, correntes de ouro e um estilo de vida baseado na violência e na ostentação rápida. Para o adolescente que está formando o seu caráter, essa ilusão pode parecer atraente. É aí que a estrutura da família e a presença do Estado precisam ser mais fortes do que qualquer influência do crime.
Prevenção em segurança pública não é um conceito abstrato, significa dar alternativas reais para a juventude. O jovem precisa ter o dia ocupado com escola de qualidade, esporte de contraturno, cursos técnicos e oportunidades de primeiro emprego. Quando o Estado investe em uma quadra poliesportiva no bairro, em um projeto de música ou em um centro de treinamento, ele está retirando a matéria-prima que o crime organizado usa para se fortalecer. Cada jovem que escolhe o caminho do trabalho é uma vitória da sociedade contra as facções.
Mas o governo não faz isso sozinho, a escola precisa voltar a ser um ambiente de respeito, onde o professor é autoridade e os valores de cidadania, disciplina e esforço são valorizados; e a família deve ser o porto seguro. Não podemos terceirizar a educação dos nossos filhos para a internet ou para a rua. Conversar, impor limites, saber com quem o jovem anda e monitorar o que ele consome no celular são atos de amor e de proteção.
O tráfico de drogas oferece um contrato que termina sempre da mesma forma: ou no cemitério, ou atrás das grades, abandonando mães chorando e famílias destruídas. O crime não tem compaixão, ele usa o jovem como escudo e o descarta quando não serve mais.
Defender a nossa juventude é a missão mais estratégica de um país que se respeita. Não podemos aceitar com naturalidade que os nossos bairros percam talentos para o tráfico. O Estado precisa garantir o policiamento para manter as escolas e praças seguras, mas precisa, acima de tudo, dar as ferramentas para que as famílias protejam os seus. A ordem e a paz social começam no berço. Fortalecer a família, apoiar os professores e dar oportunidades de verdade para quem quer crescer pelo próprio esforço é o único caminho definitivo para fechar as portas para o crime e garantir um futuro seguro para o Brasil.

