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Quando dizer “não” se torna uma questão de sobrevivência, alerta psicólogo Paulo Zago Neto

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O aumento dos casos de violência contra a mulher e dos índices de feminicídio no Brasil acende um alerta para um problema que, muitas vezes, começa muito antes das agressões físicas, a incapacidade de dizer “não”, dificultando o rompimento de relacionamentos abusivos. Na maioria das vezes, essa vulnerabilidade é resultado de uma combinação de fatores emocionais, familiares, financeiros e sociais que se fortalecem ao longo dos anos.

Para o psicólogo Paulo Zago Neto, conhecido como Neto Zago, o ciclo de violência costuma ser gradual, se inicia através de táticas de controle, desvalorização, isolamento social e a sistemática destruição da autoestima da mulher. Quando o confronto físico ocorre, é comum que a vítima já se encontre em um estado de fragilidade emocional profunda, sentindo-se incapaz de romper o vínculo. Esse cenário é muitas vezes agravado por traumas de infância, como rejeição ou abandono, que levam a mulher a aceitar abusos por temer que o fim do relacionamento seja mais doloroso do que a própria permanência na dinâmica de sofrimento.

“Para o cérebro humano, processar o medo da rejeição é um dos desafios mais complexos, assemelhando-se muitas vezes à experiência de dor física. Tal fato esclarece as razões pelas quais diversas mulheres se mantêm em vínculos que deterioram seu bem-estar psíquico. Através de sucessivas humilhações, críticas e manobras manipulativas, elas acabam por acreditarem que não são dignas de um tratamento superior. Ao subestimarem seu próprio valor, tornam-se propensas a aceitar migalhas afetivas, convencendo-se de que é impossível encontrar um novo companheiro ou recomeçar. Passam a crer que a felicidade está condicionada à aprovação alheia, sentem incapazes de manifestar o que pensam e, consequentemente, impossibilitadas de contrariar o parceiro”, diz Neto Zago.

Segundo o especialista, quanto mais tempo a mulher permanece nesse ciclo, maior tende a ser o risco de agravamento da violência, entre os fatores que mais dificultam o rompimento estão a dependência emocional, dependência financeira, medo de represálias, filhos, falta de apoio familiar, crenças religiosas distorcidas, baixa autoestima, histórico de violência familiar, medo da solidão e julgamento social. Quando não há intervenção e fortalecimento emocional, a violência pode escalar até sua forma mais extrema, como perder a vida.

De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registrou em média, um feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos nos três primeiros meses de 2026, um aumento de 7,55% em comparação ao primeiro trimestre de 2025, considerado o maior número já contabilizado desde 2015.

Neto Zago explica que o primeiro “não” costuma ser o mais difícil. Muitas mulheres sentem culpa, medo e insegurança ao começar a se posicionar. Mas é justamente esse “não” que pode salvar a saúde emocional, a liberdade e, em alguns casos o mais importante, a própria vida. Algumas atitudes podem ajudar mulheres a retomarem o controle, como reconhecer os sinais de abuso, buscar ajuda psicológica especializada, fortalecer a autoestima, reativar vínculos familiares e amizades, construir autonomia financeira, desenvolver autoconhecimento, aprender a estabelecer limites saudáveis, denunciar situações de violência, procurar apoio jurídico e redes de proteção.

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