A gestão municipal de Taquaritinga, no interior de São Paulo, enfrenta um grave impasse jurídico que atingiu diretamente o alto escalão da administração. O prefeito Fulvio Zuppani e o secretário da Fazenda, Luiz Tadeu Giollo, tiveram seus bens bloqueados por determinação da Justiça.
A medida cautelar foi assinada pelo juiz Clovis Humberto Lourenço Junior, da 3ª Vara de Taquaritinga, após denúncias de improbidade administrativa. O foco principal da investigação é o atraso persistente no repasse de verbas obrigatórias aos aposentados e pensionistas do município.
Conforme informações divulgadas pelo portal Metrópoles, o bloqueio ocorreu após o Ministério Público de São Paulo (MPSP) apontar que a omissão nos repasses ultrapassa o período de um ano, afetando a subsistência de diversos servidores públicos.
Entenda o impacto financeiro e a crise no IPREMT
O MPSP detalhou que, desde maio de 2025, os gestores deixaram de realizar o repasse das contribuições descontadas dos servidores ao Instituto de Previdência do Servidor Municipal de Taquaritinga (IPREMT). Além disso, as contribuições patronais e suplementares também foram negligenciadas.
O prejuízo total aos cofres da previdência municipal foi calculado em R$ 3.458.524,26. Esse montante considera tanto o valor principal que deveria ter sido depositado quanto os encargos moratórios e multas que deixaram de ser aplicados nos pagamentos realizados fora do prazo.
Prejuízos aos servidores e justificativas da prefeitura
A falta desses repasses causou problemas graves, incluindo a suspensão de atendimentos do plano de saúde conveniado e atrasos no pagamento de aposentados de baixa renda. A situação gerou revolta entre os servidores que dependem dos benefícios para o sustento básico.
Em sua defesa, a prefeitura de Taquaritinga alegou que os atrasos seriam decorrentes de uma crise financeira e bloqueios judiciais nas contas da cidade. No entanto, o Ministério Público rebateu os argumentos apresentados pelos gestores durante o processo.
Contradição entre crise e gastos da gestão
Dados obtidos pelo MPSP no Portal da Transparência revelaram que a prefeitura manteve pagamentos regulares para fornecedores e prestadores de serviços no mesmo período. Isso contradiz a alegação de falta total de recursos financeiros para honrar os compromissos previdenciários.
O órgão ministerial destacou, ainda, que a administração chegou a encaminhar projetos de lei para a criação de novas funções de confiança, sugerindo que os repasses ao IPREMT não foram tratados como prioridade pela gestão atual. Até o momento, a prefeitura não se manifestou sobre o caso.
