Cinco anos após o seu lançamento, o Fiagro vive uma fase de maturação, onde a busca por eficiência e diversificação de ativos dita o novo ritmo do setor. O produto, que antes focava quase inteiramente na captação de pequenos investidores, hoje atrai estruturas corporativas complexas e operações de crédito mais sofisticadas.
Essa mudança de perfil reflete a necessidade do agronegócio em buscar alternativas ao crédito bancário tradicional, que já não consegue suprir sozinho a enorme demanda por recursos. Conforme levantamento da Oliveira Trust, com dados da CVM, o segmento atingiu R$ 65,8 bilhões em patrimônio líquido até julho de 2026.
Abaixo, detalhamos como essa nova engrenagem do crédito está funcionando, os desafios de governança para o produtor e o papel fundamental dos investidores profissionais nesta trajetória de crescimento.
Concentração e o novo perfil dos investidores
Embora o varejo represente 92,4% das contas nos fundos, a maior parte do capital ainda é movida por grandes investidores. Segundo dados da Oliveira Trust, 71,1% do patrimônio está nas mãos de investidores qualificados e profissionais, que ocupam apenas 7,6% das contas totais.
A Quantum reforça essa visão de concentração, apontando que os dez maiores veículos do setor somavam, em agosto, cerca de R$ 9,4 bilhões, o que equivale a 39,5% do patrimônio total dos fundos analisados. Esse cenário mostra que, apesar da base pulverizada, o dinheiro institucional é quem dita o volume no Fiagro.
Diversificação: do crédito corporativo às terras rurais
Octaciano Neto, da Quantum, explica que a indústria passou por diversas fases. No início, o foco era o crédito corporativo puro. Com o passar do tempo, surgiram operações pulverizadas, estruturas com terras e, agora, o surgimento de Fiagros com bancos emitindo ativos diretamente.
A grande vantagem dessa evolução, segundo Neto, é a capacidade de pulverizar o risco. Ao estruturar operações onde os produtores são os devedores finais, em vez de concentrar o risco em uma única revenda, o Fiagro protege o investidor e torna o financiamento mais eficiente.
O papel da CPR e a nova governança no campo
A Cédula de Produto Rural (CPR) tornou-se uma ferramenta central nessa engrenagem. Por ser uma alternativa mais barata e simples, ela permite que o Fiagro funcione como um grande chassi, capaz de aglutinar diferentes tipos de dívidas e distribuir o risco entre os cotistas de forma inteligente.
Para o produtor rural, essa nova realidade exige uma mudança de postura. É preciso melhorar a governança, separar as finanças pessoais das empresariais e fornecer dados mais confiáveis sobre a produção. Sem transparência, o acesso a esses recursos do mercado de capitais fica muito mais difícil.
Desafios e aprendizado para o investidor
A entrada do varejo trouxe um novo desafio: a sensibilidade a notícias de inadimplência. O caso recente da Agrogalaxy, que entrou em recuperação judicial, serviu como um importante aprendizado para um mercado que ainda está em formação e precisa lidar com a volatilidade das cotas.
Mesmo com retornos variados entre os fundos, o Fiagro segue atraindo capital, tendo acumulado R$ 6,2 bilhões de captação líquida nos sete primeiros meses de 2026. Para o setor, o caminho agora é profissionalizar ainda mais a oferta de ativos e garantir que a qualidade do crédito acompanhe o crescimento do patrimônio.
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As informações são da CNN
