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Mudanças climáticas ameaçam o agronegócio e colocam sob risco R$ 584 milhões em vendas da Natura na Amazônia

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A mudança climática tornou-se uma preocupação central para grandes corporações brasileiras, especialmente aquelas que dependem diretamente da biodiversidade. Um levantamento recente trouxe à tona o impacto direto desses fenômenos na operação de uma das maiores empresas do setor de beleza.

O estudo aponta que R$ 584,2 milhões em vendas estão associados a matérias-primas da Amazônia, valor que representa 2,6% da receita líquida da Natura registrada em 2025. Esses dados foram apresentados pela própria empresa, conforme informação divulgada em seu relatório de sustentabilidade.

A seguir, entenda como a companhia está se preparando para mitigar os riscos climáticos que ameaçam a oferta de insumos vitais para a fabricação de seus produtos mais icônicos.

Bioingredientes em estado de alerta

A análise da Natura identificou que a castanha-do-pará, o cupuaçu e o murumuru são os ingredientes com maior vulnerabilidade aos efeitos do clima. O risco é considerado alto para os próximos anos, mesmo em cenários de menor aquecimento global.

Fatores como alterações drásticas no regime de chuvas, eventos extremos e o fenômeno El Niño podem causar quebras na safra. Isso, consequentemente, gera uma pressão de alta nos preços e dificuldades severas para o abastecimento regular da indústria.

Investimentos para garantir a produção

Para minimizar essa dependência, a empresa destinou cerca de R$ 21 milhões em 2025 para estratégias de adaptação. Entre as medidas adotadas, destaca-se a formação de estoques estratégicos de castanha-do-pará, funcionando como uma proteção contra a volatilidade da oferta.

Além disso, a companhia investe na ampliação do cultivo de cupuaçu para aumentar a produtividade e constrói uma nova estrutura de processamento de murumuru no Pará. Essas ações buscam conferir maior resiliência à cadeia produtiva diante das incertezas climáticas.

Riscos físicos e operacionais

O perigo não se restringe apenas à coleta de insumos. O levantamento também mapeou riscos físicos em cinco instalações da Natura, com uma estimativa de impacto financeiro de curto prazo que varia entre R$ 45,5 milhões e R$ 53,5 milhões.

A empresa também monitora a volatilidade de outras commodities, como o papel e o óleo de palma, cujas compras anuais superam R$ 1,7 bilhão. A gestão desses riscos é fundamental para a estabilidade da companhia no longo prazo.

Transparência e futuro financeiro

Este é o primeiro relatório da Natura elaborado seguindo os padrões internacionais IFRS S1 e S2, que tratam da divulgação de dados financeiros relacionados à sustentabilidade. A iniciativa reforça o compromisso com a transparência.

Segundo a diretora financeira da empresa, Silvia Vilas Boas, a transição climática já afeta diretamente as decisões financeiras atuais, influenciando desde a alocação de capital até a estruturação de novos instrumentos de investimento no mercado.

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Fonte: CNN///

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