Desde que o candidato Flávio Bolsonaro superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas no último domingo, o mercado financeiro reagiu com forte alta na Bolsa e queda nos juros futuros.
Essa reação, segundo investidores, reflete a expectativa de mudanças na condução da política econômica nacional, focada em uma postura mais liberal e restritiva nos gastos públicos.
Conforme informações divulgadas pelo Metrópoles, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, questionou publicamente a sustentabilidade dessa euforia do mercado durante um evento do setor imobiliário.
O impacto do resultado eleitoral nos indicadores econômicos
O mercado financeiro reagiu de forma imediata após o primeiro turno. O Ibovespa registrou uma alta expressiva de 7,70% na segunda-feira, superando pela primeira vez a marca histórica dos 200 mil pontos.
Além da Bolsa, o dólar também sofreu um impacto direto, recuando para um patamar abaixo de R$ 5 durante o pregão, enquanto as taxas de juros futuros apresentaram quedas significativas.
Para os investidores, esse movimento indica uma confiança de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro traria medidas como privatizações, corte de despesas e controle da dívida pública.
As críticas de Durigan sobre as propostas da oposição
Dario Durigan, no entanto, mantém uma postura cautelosa. O ministro afirma que a euforia do mercado antecipa mudanças sem que haja, até o momento, um detalhamento técnico das propostas econômicas.
Um dos pontos centrais da divergência é a meta de alcançar um superávit primário de 1,5% do PIB já no primeiro ano de governo, proposta defendida pela equipe econômica do candidato do PL.
Para o ministro, não é possível atingir esse resultado apenas com a redução do número de ministérios, o combate a supersalários ou a venda de ativos da União, como sugere a oposição.
O alerta sobre a falta de consistência fiscal
Durigan foi enfático ao classificar as promessas como pouco realistas. Ele afirmou que é difícil acreditar em medidas que não apresentam um plano concreto de execução para o país.
Ao criticar as promessas, o ministro declarou: essa história de vender ativos, dizer que vai privatizar tudo e que vai fazer, no primeiro ano, um superávit de 1,5% do PIB, sem mostrar como isso será feito, é difícil comprar um pastel de vento em meio a essa euforia.
Dessa forma, o governo atual reforça que a euforia do mercado pode estar descolada da realidade orçamentária, exigindo maior clareza sobre como as contas públicas seriam equilibradas na prática.
